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22/06/2009

Laudo de Imagem Ginecológica e Sistema de Dados

Uma nova proposta para classificar as massas anexiais com base nos achados ultrassonográficos

Fernando Amor, MD, Humberto Vaccaro, MD, Juan Luis Alcázar, MD, Mauricio Leon, MD, José Manuel Craig, MD, Jaime Martinez, MD

A proposta deste estudo foi descrever um novo sistema de laudo chamado Laudo de Imagem Ginecológica e Sistema de Dados (GI-RADS) para relatar achados em massas anexiais baseados na ultrassonografia transvaginal.



Figura 1. USG transvaginal de uma massa anexial diagnosticada como um cisto hemorrágico e classificada como GI-RADS 2. A paciente foi seguida e o cisto se resolveu espontaneamente após 2 meses.

Um total de 171 mulheres (idade média de 39 anos; variando de 16 a 77 anos) suspeitas de terem uma massa anexial foram avaliadas pela ultrassonografia transvaginal antes do tratamento. Análise de reconhecimento do padrãoo e a localização do fluxo sanguíneo pelo Doppler colorido foram usados para determinar o diagnóstico presuntivo.



Figura 2. USG transvaginal de uma massa anexial diagnosticada como um cisto endometriótico e classificada como GI-RADS 3. A cirurgia foi realizada e o diagnóstico foi confirmado na análise histopatológica.

Assim, o GI-RADS foi usado, com as classificações seguintes:
  • GI-RADS 1, definitivamente benigno. Ovários normais e nenhuma massa anexial visualizada;
  • GI-RADS 2, muito provavelmente benigno. Esta categoria inclui lesões anexiais que parecem ser de origem funcional, tais como folículos, corpos lúteos e cistos hemorrágicos (figura 1);
  • • GI-RADS 3, provavelmente benigno. Esta categoria inclui as lesões anexiais não neoplásicas que parecem ser benignas, tais como endometrioma, teratoma, cistos simples, hidrossalpinge, cisto paraovariano, pseudocisto peritoneal, mioma pediculado e achados sugestivos de doença inflamatória pélvica (figura 2 a 4);
  • • GI-RADS 4, provavelmente maligno. Esta categoria inclui lesões anexiais que poderiam ser incluídas nos grupos acima, com 1 ou 2 sinais sugestivos de malignidade (p.e., projeções papilíferas espessas, septações espessas, áreas sólidas, vascularização central, ascite e RI baixo < 0.5) (figura 5);
  • GI-RADS 5, muito provavelmente maligno. Esta categoria inclui massas anexiais com 3 ou mais achados sugestivos de malignidade listados para GI-RADS4.


  • Pacientes com tumores GI-RADS 1 e 2 foram tratados expectantemente.



    Figura 3. USG transvaginal de uma massa anexial diagnosticada como hidrossalpinge e classificada como GI-RADS 3. A cirurgia foi realizada e o diagnóstico foi confirmado na análise histopatológica.

    Todos os tumores GI-RADS 3, 4 e 5 foram removidos cirurgicamente e um diagnóstico histológico definitivo foi obtido. A classificação GI-RADS foi comparada com o diagnóstico histológico final. Um total de 187 massas foram avaliadas.



    Figura 4. USG transvaginal de uma massa anexial diagnosticada como salpingite aguda num quadro de doença inflamatória pélvica e classificado como GI-RADS 3. A cirurgia foi realizada e o diagnóstico foi confirmado na análise histopatológica.

    A taxa de prevalência de tumores malignos foi de 13.4%. Todas as taxas de classificação GI-RADS foram as seguintes: GI-RADS 1, 4 casos (2.1%); GI-RADS 2, 52 casos (27.8%); GI-RADS 3, 90 casos (48.1%); GI-RADS 4, 13 casos (7%) e GI-RADS 5, 28 casos (15%).



    Figura 5. USG transvaginal de uma massa anexial mostrando uma área sólida que surge da superfície das paredes internas. Não foi identificado fluxo sanguíneo dentro desta área sólida e a massa foi classificada como GI-RADS 4. A cirurgia foi realizada e a análise histopatológica revelou cistoadenofibroma.

    A sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo negativo e acurácia foram 92%, 97%, 85%, 99% e 96%, respectivamente.



    Figura 6. USG transvaginal de uma massa anexial mostrando uma área sólida com contornos irregulares e fluxo sanguíneo interno. A massa foi classificada como GI-RADS 5 . A cirurgia foi realizada e a análise histopatológica revelou carcinoma seroso de ovário primário.

    O propósito do sistema de laudo proposto mostrou boa performance diagnóstica. É simples e pode facilitar a comunicação entre ultrassonografistas e clínicos.

    Tabela 1. Diagnóstico final de todas as massas

    DiagnósticoN%
    Cisto funcional189.6
    Cisto paraovariano21.1
    Cisto hemorrágico2915.5
    Hidrossalpinge73.7
    Doença inflamatória pélvica105.3
    Cistoadenoma2714.7
    Endometrioma3720.2
    Teratoma189.6
    Leiomioma52.7
    Fibroma de ovário21.1
    Struma ovarii10.5
    Abscesso periapendicular21.1
    Tumor com baixo potencial de malignidade52.7
    Carcinoma de ovário primário1910.2
    Carcinoma metastático10.5
    Total183100



    Tabela 2. Laudo de imagem ginecológica e classificação do sistema de dados de acordo com o diagnóstico final específico

    GI-RADS
    Diagnóstico final12345Total
    Ovários normais44
    Cisto funcional1818
    Cisto paraovariano22
    Cisto hemorrágico2929
    Hidrossalpinge77
    Doença inflamatória
    pélvica
    1010
    Cistoadenoma3167127
    Endometrioma2303237
    Teratoma1818
    Leiomioma415
    Fibroma de ovário112
    Struma ovarii11
    Abscesso periapendicular22
    Tumor com baixo
    potencial de malignidade
    145
    Carcinoma primário de ovário11819
    Carcinoma metastático11
    Total452901328187



    Tabela 3. Performance diagnóstica do sistema GI-RADS


    GI-RADSBenignoMaligno
    1 – 41572
    5523|



    Sensibilidade, 92% (95% de intervalo de confiança, 75% - 98%);
    Especificidade, 97% (93% - 99%);
    Valor preditivo positivo, 85%;
    Valor preditivo negativo, 99%;
    Razão de probabilidade positiva, 29.8 (12.5 – 71.2);
    Razão de probabilidade negativa, 0.08 (0.02 – 0.31).

    Tabela 4. Características dos casos com achados falso-positivos


    Idade da paciente, anosGI-RADSVolume tumor, cm³Diagnóstico final
    445115Endometrioma
    445898Endometrioma
    66555Struma ovarii
    4451011Fibroma
    35584Cistoadenofibroma



    Fonte: J Ultrasound Med 2009; 28:285-291

    Residentes colaboradores:
    1. DRA. KÁTIA ANDRIONI
    2. DR. MAURO SÉRGIO ALVES MACHADO

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