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28/09/2009

Utilidade da ecocardiografia fetal após achados de imagem cardíaca normais em ultrassonografia detalhada da anatomia fetal

Utilidade da ecocardiografia fetal após achados de imagem cardíaca normais em ultrassonografia detalhada da anatomia fetal
Roman S. Starikov, MD, Fadi A. Bsat, MD, Alexander B. Knee, MS, Anna E. Tsirka, MD, Yvonne Paris, MD, Glenn R. Markenson, MD

Fonte: J Ultrasound Med Maio 2009; 28:603-608

A proposta deste estudo foi avaliar a utilidade da ecocardiografia fetal (EF) após achados de imagem cardíaca normais durante a ultrassonografia detalhada da anatomia fetal (UAF).

Tabela 1. Distribuição dos casos por idade materna e idade gestacional
ParâmetroMédia (Desvio Padrão)
N = 789
Faixa
Idade materna, anos32.8 (6.6)15 - 47
Idade gestacional,
UAF, semanas
18.1 (0.9)16 - 20
Idade gestacional,
EF, semanas
23.4 (2.1)18.9 – 36.9

Os autores conduziram uma revisão de coorte retrospectiva de estudos ultrassonográficos obstétricos de Novembro de 2001 a Julho de 2005. Eles identificaram mulheres primigestas com aumento do risco de doença cardíaca congênita que se submeteram a UAF realizada por especialistas em medicina materno-fetal entre a 16 e a 20 semanas de gestação com subseqüente EF. Estes registros foram comparados com os resultados observados em recém nascidos.

Das 789 gestações que tinham UAF e EF, 481 tinham imagem cardíaca satisfatória. Destas, apenas 1 feto tinha achados anormais na EF. Após o parto, 4 dos 480 neonatos com achados normais na UAF e na EF tinham um diagnóstico de defeito cardíaco.

Os autores concluem que a ecocardiografia fetal não aumenta substancialmente a taxa de detecção das grandes anormalidades cardíacas após achados normais na USF detalhada realizada por um especialista em medicina materno-fetal.

Tabela 2. Indicações para a EF pela categoria da UAF
ParâmetroNormal ou subótimo
na UAF, n (%)*
Anormal na
UAF, n (%)**
Idade materna avançada
Marcador ultrassonográfico
História familiar
Diabetes
Marcador sérico anormal
Anormalia fetal suspeitada
Exposição a teratogênicos
Outros
384 (48.7)
142 (18)  
125 (15.8)
 95 (12)  
 89 (11.3)
 52 (6.6)  
 21 (2.7)  
 46 (5.8)  
 0 (0)  
 1 (0.1)
 1 (0.1)
 1 (0.1)
 1 (0.1)
11 (1.4)
 0 (0)  
 0 (0)  
Total777 (98.5)12 (1.5)

* Um total de 609 pacientes tinham 1 indicação, 158 tinham 2 indicações e 10 tinham 3 indicações
** Um total de 10 pacientes tinham 1 indicação e 2 pacientes tinham 2 indicações

Tabela 3. Eficiência do rastreamento da UAF na predição de doença cardíaca congênita
UAFDiagnóstico neonatal
Anormal Normal
Sensibilidade
% (95% CI)
Especificidade
% (95% CI)
Valor preditivo
positivo
% (95% CI)
Valor preditivo
negativo
% (95% CI)
Anormal
Normal
Total
6          5   
5       496   
11      481   
55 (25 – 82)99 (97 – 100)55 (25 – 82)99 (97 – 100)


Tabela 4. Eficiência do rastreamento da UAF na predição de doença cardíaca congênita
UAFDiagnóstico neonatal
Anormal Normal
Sensibilidade
% (95% CI)
Especificidade
% (95% CI)
Valor preditivo
positivo
% (95% CI)
Valor preditivo
negativo
% (95% CI)
Anormal
Normal
Total
7          0   
4        481  
11       481  
64 (32 – 88)100 (99 – 100)100 (56 – 100)99 (98 – 100)


Nossos comentários:
A falha no diagnóstico de anomalia cardíaca é a principal cometida pelos ultrassonografistas no rastreamento obstétrico. É terrível para nós não anteciparmos corretamente uma das grandes e mais freqüentes anomalias apresentadas pelo recém-nato. E realmente é difícil fazer o diagnóstico de algumas anomalias cardíacas, principalmente a transposição dos grandes vasos. Mas me surpreendeu muito saber que encaminhar a paciente para um médico especializado em ecocardiografia fetal não iria garantir que o feto nasceria sem anomalia. Mas só sabemos quando falhamos quando seguimos os nossos casos. No Brasil ainda dependemos da literatura estrangeira para conhecermos esse tipo de erro, pois não temos dados epidemiológicos próprios nessa área. Frequentemente os ultrassonografistas brasileiros alegam que as falhas dos exames obstétricos realizados nos EUA são decorrentes dos exames serem realizados por técnicos, o que não pode ser alegado na casuística prévia, devido todos os exames cardíacos terem sido realizados por médico especialista em ecocardiografia fetal. É preocupante um resultado como esse e exige de nós muita humildade para conhecermos nossas limitações.

Figura 1. Distribuição dos achados da UAF e da EF



Residentes colaboradores:
1. DRA. KÁTIA ANDRIONI
2. DR. MAURO SÉRGIO ALVES MACHADO
3. DRA. KARINA PIVA CAMARGO VOLPE

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