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14/12/2009
Mamografia aumenta o risco da mulher desenvolver o câncer de mama
Prevenção do câncer de mama com mamografia é arriscada
A baixa dose de radiação recebida durante os exames anuais de mamografia podem aumentar o risco de câncer de mama nas mulheres com predisposição genética ou familiar a esse tipo de câncer.
Estas conclusões foram apresentadas durante o congresso anual da Sociedade de Radiologia dos Estados Unidos
O risco da mamografia é maior para mulheres jovens
"Os exames de mamografia preventivos são muito importantes para as mulheres com alto risco de câncer de mama, mas deve-se ter muito cuidado na realização das mamografias preventivas em mulheres muito jovens, particularmente naquelas abaixo dos 30 anos de idade," disse a Dra. Marijke C. Jansen-van der Weide, da Universidade de Gronigen, na Holanda, uma das autoras do trabalho. "Mais do que isso, a exposição repetida à radiação de baixa dose deve ser evitada," alerta a médica.
Métodos diagnósticos alternativos à mamografia
As mulheres com alto risco de contraírem câncer de mama precisam começar os exames preventivos mais jovens, porque frequentemente elas desenvolvem o câncer mais cedo do que as mulheres com risco padrão.
Entretanto, de acordo com a Dra. Marijke e seus colegas, as mulheres jovens com predisposição familiar ou genética à doença devem considerar a utilização de métodos alternativos de prevenção, porque o risco potencial do câncer induzido pela radiação oriunda do próprio exame é maior do que o benefício da detecção precoce do câncer nesse grupo.
Os exames alternativos à mamografia incluem a ultrassonografia e a ressonância magnética, que são totalmente inócuos, mas ambos vêm sendo utilizados em conjunto ou de forma complementar à mamografia. Neste caso, a médica advoga que sejam utilizados apenas esses exames e não como associado à mamografia.
Os pesquisadores chegaram à conclusão que o exame de mamografia preventiva eleva o risco do câncer de mama em mulheres com alto risco da doença depois de analisar 47 estudos publicados em revistas científicas revisadas por outros pesquisadores.
Embora todos os estudos tenham analisado o risco induzido pela exposição à baixa dose de radiação das mamografias sobre a própria doença, os cientistas selecionaram apenas seis pesquisas como sendo de alta qualidade, representativas e sem problemas metodológicos.
Outras controvérsias sobre as mamografias
De acordo com a Sociedade Norte-Americano do Câncer, há fortes evidências sustentando os benefícios da mamografia para as mulheres acima dos 40 anos de idade.
Entretanto, os estudos são conflitantes quando são avaliados os eventuais benefícios da mamografia para mulheres abaixo dos 40 anos. Um importantíssimo estudo publicado no J Clinical Oncology , 2001 (19:924-30), mostrou resultados muito desapontadores da mamografia quando rastrearam o CA mama em 1198 mulheres de alto risco para desenvolver câncer de mama: a sensibilidade da mamografia foi de apenas 63% se excluídos as pacientes sintomáticas e apenas 34% dos TU detectados poderiam ser considerados precoces (menores do que 10mm) e os resultados foram ainda menos favoráveis em mulheres com menos de 40 anos. Em decorrência desse e de outros trabalhos submetidos à revisão científica, um grupo independente de especialistas dos Estados Unidos recomendou em Novembro de 2009 que as mulheres façam mamografias periodicamente a partir dos 50 anos e não a partir dos 40. O relatório também diz que as mulheres entre 50 e 74 anos devem fazer mamografias menos frequentemente, a cada dois anos, em vez de anualmente. As novas recomendações foram anunciadas pela Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos.
As novas recomendações dos EUA têm como objetivo reduzir a quantidade de tratamento excessivo (quando mulheres passam por biópsias, cirurgias, radioterapia e quimioterapia sem necessidade, e sofrem com os efeitos colaterais). Diana Petitti, vice-presidente da Força-Tarefa, disse que as orientações são baseadas em novos dados e análises e têm por objetivo reduzir os riscos potenciais do excesso de rastreamento. Uma mamografia além de desencadear outros exames e procedimentos invasivos desnecessários, irá detectar tumores que crescem tão lentamente que nunca trariam efeitos sobre a saúde da mulher, resultando em tratamento desnecessário. Em outras palavras, além de haver muitos falsos negativos da mamografia (não detecta o câncer existente), também há muitos falsos positivos (detecta o câncer que não existe) que geram tratamentos e procedimentos desnecessários.
A Força-Tarefa é um grupo independente de especialistas em prevenção e cuidados primários nomeado pelo Departamento Federal de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Apenas os Estados Unidos (1995) e a Islândia (1987) recomendavam o exame a partir dos 40 anos como parte do programa de rastreamento. Canadá, Reino Unido, Noruega, Austrália, Nova Zelândia e Israel, entre outros, recomendam a mamografia a partir de 50 anos.
Nossos comentários
Apesar de se conhecer há décadas que a radiação ionizante da mamografia é cancerígena, considerava-se que a dose da mamografia era mínima e não afetaria significantemente o risco de câncer de mama na paciente que se submetesse ao método para rastrear preventivamente a malignidade. Advogava-se que o risco da radiação era menor do que o benefício do diagnóstico precoce. Entretanto, esta conclusão dada como certa por anos na medicina, defendida em congressos médicos e servindo de base para orientação das mulheres, nunca tinha sido validada por trabalho científico e já havia fortes indícios contrariando esta tese como o famoso estudo de rastreamento do câncer de mama desenvolvido no Canadá na década passada, que constatou aumento de 8% na mortalidade por câncer de mama nas mulheres que foram rastreadas por 10 anos consecutivos com a mamografia em relação ao grupo controle que não se submeteu à mamografia. É lamentável que a mulher mais uma vez tenha sido cobaia de um experimento fadado a prejudicá-la pelos dados científicos previamente existentes, que claramente apontavam para o potencial cancerígeno da radiação ionizante. O mínimo que se esperaria dos cientistas que inventaram a mamografia é que averiguassem concretamente se o risco não era maior do que o benéfico. Agora o mal já está feito para uma grande parcela da população que acreditou nesses cientistas e seguiu suas orientações. Este ano estamos lendo notícia pós notícia sobre os terríveis efeitos da radiação quando utilizada como método diagnóstico. É o caso do relatório Conselho Nacional de Proteção contra Radiações e Medições (NCRP) de Bethesda, MD, março 2009 , que relatou aumento de 7 vezes entre 1980 e 2006 da população EUA exposta a radiação ionizante, sendo a causa principal os procedimentos médicos (75% do total) e que a maior utilização CT e MN respondem por 36% do total da exposição à radiação médica. Recentemente o FDA abriu processo para averiguar vários casos de dose excessiva de radiação provocada por equipamentos de Tomografia Computadorizada após exame cerebral, pois geraram dermatite actínica e queda dos cabelos, demonstrando doses compatíveis com radioterapia ou holocausto nuclear. É lamentável a constatação tardia desses fatos, principalmente porque poderiam ter sido evitados. Abaixo está um resumo do trabalho que demonstra o potencial cancerígeno da mamografia.
A validação de um modelo de simulação que incorpora o risco da radiação da mamografia no rastreamento do câncer de mama em mulheres com aumento do risco de câncer de mama hereditário
Greuter MJ, Jansen-van der Weide MC, Jacobi CE, Oosterwijk JC, Jansen L, Oudkerk
M, de Bock GH.
Departamento de Radiologia, Universidade de Groningen, Groningen, The Netherlands.
Fonte: Eur J Cancer. Novembro de 2009
Introdução: para mulheres com mutações BRCA1 ou BRCA2 ou uma forte história familiar de câncer de mama, não há estimativa clara disponível dos riscos de indução de tumor versus os efeitos benéficos do rastreamento mamográfico. Este estudo tem como objetivo validar o Modelo de Simulação de Risco de Radiação no Rastreio do câncer de mama (SiMRiSc) nestas mulheres, o qual pode fornecer informações sobre os benefícios e riscos do rastreamento do câncer de mama para vários cenários de rastreio.
Metodos: O modelo de simulação para o rastreio do câncer de mama foi desenvolvido e os valores para os parâmetros do modelo, incluindo a indução de câncer devido à radiação, foram obtidos a partir literatura. O modelo de simulação foi validado pela comparação dos dados do resultado do modelo com os dados de três estudos de triagem de mulheres com risco aumentado de câncer hereditário de mama publicados. Uma análise de sensibilidade foi utilizada para estimar as margem de erro dos dados e resultados e analisar a sensibilidade do modelo de simulação para cada parâmetro.
Resultados: O modelo previu 71 ± 4% do os tumores relatados. Quando excluído o número excessivo de tumores incidentais detectados na primeira fase de triagem, o modelo previu 85 ± 6% dos tumores relatados. O modelo foi mais sensível para as alterações nos parâmetros relatados para o risco de câncer de mama durante a vida do que a sensibilidade da mamografia.
Conclusões: os autores concluíram que o modelo de simulação é adequado para o fornecimento de informações precisas sobre as estimativas dos benefícios e dos riscos necessárias para o refinamento das orientações de referência (guidelines) para as mulheres com risco aumentado de câncer de mama.