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25/02/2009
Ultrassonografia da necrose gordurosa envolvendo a extremidade e tronco com correlação com a ressonância magnética e a histologia.
Michael Walsh, MD, Jon A. Jacobson, MD, a Sun Moon Kim, MD, David R. Lucas, MD, Yoav Morag, MD, David P. Fessell, MD.
Fonte : J Ultrasound Med, dezembro 2008; 27:1751-1757.
O objetivo deste estudo foi descrever aspectos ultrassonográficos comprovados pelo exame anátomo-patológico da necrose gordurosa isolada envolvendo as extremidades ou o tronco, correlacionando-os com a ressonância magnética (RM). Uma consulta ao arquivo do Departamento de Patologia da instituição dos autores (Universidade de Michigam Medical Center), sobre o diagnóstico da necrose gordurosa, resultou em 1.539 casos. A revisão dos casos e prontuários médicos excluíram aqueles sem imagens ultrassonográficas, aqueles envolvendo a mama e os que estão no interior ou adjacente ao processo primário, incluindo massas ou cirurgias prévias, o que resultou num total de 5 casos de necrose gordurosa primária, 2 das quais foram avaliadas com RM. Os exames ultrassonográficos foram revistos por 2 radiologistas de Musculoesquelético e caracterizadas com relação à localização, ecogenicidade, sombra acústica, reforço acústico distal, anel ou halo hipoecóico, definição das margens, homogeneidade, efeito de massa e vascularização. Foram também analisados os prontuários dos pacientes, os resultados histológicos e os achados da RM. Dos 5 casos isolados de necrose gordurosa, 2 envolviam o tronco e 3 as extremidades inferiores. Com relação à ultrassonografia, todas estavam situadas na camada adiposa do subcutâneo; 2 eram isoecóicas; 3 eram hiperecóicas; 2 tinham um halo hipoecogênico; nenhuma mostrou sombra acústica ou reforço distal; 2 eram bem delimitadas; 3 eram no formato de massa; 4 eram heterogêneas; e 2 apresentaram aumento do fluxo sanguíneo na imagem com Doppler colorido ou Power Doppler.
A imagem da Ressonância Magnética mostrou um sinal intermediário e acentuação difusa ou em anel.

Figura 1: A necrose gordurosa da parede abdominal, foi comprovada por biópsia cirúrgica em um mulher de 38 anos. A. A imagem ultrassonográfica mostra a necrose gordurosa isoecóica (setas) com um halo hipoecóico ao redor. B. O corte histológico corado com hematoxilina-eosina (Magnificação original de 40 vezes) mostrou um lóbulo de necrose gordurosa bem delimitado (setas) rodeado por uma cápsula fibrosa (cabeças de setas), com áreas císticas e septações complexas.

Figura 2: A necrose gordurosa do joelho foi comprovada por biópsia cirúrgica em um menino de 13 anos. A. A imagem ultrassonográfica mostrou necrose gordurosa isoecóica (setas), com um halo hipoecóico ao redor, a qual era mobilizável sob pressão da sonda. B. O corte histológico corado com hematoxilina-eosina (Magnificação original de 20 vezes) mostrou um lóbulo de necrose gordurosa bem delimitado (setas) rodeado por uma cápsula fibrosa distinta (cabeças de setas) e septações fibróticas intra lesional mínima

Figura 3: A necrose gordurosa da perna comprovada por biópsia em uma mulher de 50 anos. A. A imagem ultrassonográfica mostrou necrose gordurosa hiperecóica e heterogênea, mal delimitada (setas). B. A imagem de RM em T1, (TR/TE 450/13 milissegundos), mostrou uma área focal de sinal intermediário (setas). C. A imagem axial da RM com saturação de gordura (TR/TE, 3400/43 milissegundos) mostrou uma área de sinal intermediário (setas). D. A imagem axial em T1 da RM com saturação de gordura (TR/TE, 200/3milessegundos), após injeção intravenosa de gadolíneo, mostrou uma área de acentuação (setas). E. O corte histológico corado com hematoxilina-eosina (Magnificação original de 100 vezes) mostrou necrose gordurosa organizada caracterizada por glóbulos de gordura (setas) dentro de um estroma colagenoso hialinizado e tecido de granulação crescendo internamente e envolvido por inflamação linfocítica (cabeças de setas).

Figura 4: A necrose gordurosa da coxa comprovada por biópsia tipo core em uma mulher de 40 anos. A. À esquerda, a imagem ultrassonográfica mostra necrose gordurosa hiperecóica, homogênea e mal delimitada (setas). À direita, mostra gordura do subcutâneo normal (cabeça de setas) da coxa contralateral. B. A imagem de RM em T1, (TR/TE, 716/9 milissegundos), mostrou uma área mal definida de sinal intermediário (setas). C. A imagem axial da RM com saturação de gordura (TR/TE, 3.316/41 milessegundos) mostrou uma área mal definida de sinal intermediário (setas). D. A imagem axial em T1 da RM com saturação de gordura (TR/TE, 160/1.5 milissegundos), após injeção intravenosa de gadolíneo, mostrou uma área de acentuação em anel (cabeça de setas). E. O corte histológico corado com hematoxilina-eosina (Magnificação original de 100 vezes) mostrou necrose gordurosa organizada com tecido adiposo necrótico (setas) e tecido de granulação envolvido por inflamação linfocítica (cabeças de setas).
Os autores concluem que a necrose gordurosa isolada das extremidades e do tronco tinham 2 aspectos ultrassonográficos, os quais incluíram uma massa isoecóica bem definida, com um halo hipoecóico e uma região hiperecóica mal delimitada na camada adiposa do subcutâneo.
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Residentes colaboradores:
1. DRA. KÁTIA ANDRIONI