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23/03/2009
Quantificação volumétrica da tireóide
Avaliação comparativa entre a ultrassonografia convencional e a volumétrica
Roberto Malago, MD, Mirko D'Onofrio, MD, Marco ferdeghini, MD, William Mantovani, MD, Chiara Colato, MD, Paolo Brazzarola, MD, Massimiliano Motton, MD, Roberto Pozzi Mucelli, MD
Fonte: J Ultrasound Med December 2008; 27:1727-1733
A quantificação do volume da tireóide é um importante parâmetro para a dosagem da radioterapia nos casos das principais doenças tireoideanas, como as tireoidites e o carcinoma. Na pratica clinica, este cálculo é realizado por meio da ultrassonografia e esta baseada na formula elipsóide aplicada nos 3 maiores eixos dos lobos. O objetivo deste estudo foi comparar a acurácia do cálculo do volume entre a ultrassonografia módulo B e a ultrassonografia volumétrica (USV).
Entre Abril e Maio de 2007, 27 pacientes consecutivos selecionados para tireoidectomia foram avaliados prospectivamente. Um especialista em ultrassom calculou o volume de cada tireóide com a ultrassonografia módulo B padrão com base nos 3 eixos de cada lobo e então os pacientes foram analisados com uma estação de trabalho equipada com sondas volumétricas (USV). Na estação de trabalho, dois operadores separados (USV1 e USV2), em estudo cego, calcularam o volume da tireóide com uma análise computadorizada do órgão virtual. Os dados adquiridos foram então comparados com a anatomia patológica (AP). O tempo médio de analise para o modulo B foi de 6 minutos, enquanto que a analise USV precisou de uma media de tempo de 16.5 minutos.
Figura 1. A. Imagem ultrassonográfica transversal em módulo B, mostra medidas com cáliper (1) no Antero - posterior e com cáliper (2) no transversal do lobo direito da tireóide. B. Imagem ultrassonográfica transversal em módulo B, mostra medidas com cáliper (1) no Antero - posterior e com cáliper (2) no transversal do istmo da tireóide. C. Imagem ultrassonográfica pelo módulo da imagem estendida, mostra medidas com cáliper (1) no longitudinal do lobo direito da tireóide. D. Imagem ultrassonográfica transversal em módulo B, mostra medidas com cáliper (1) no Antero - posterior e com cáliper (2) no transversal do lobo esquerdo da tireóide


Figura 2. Imagem tirada da estação de trabalho LOGIQwork mostrando a medida volumétrica 3D do lobo direito da tireóide vista em 3 planos ortogonais. Os limites do lobo da tireóide são delineados nos planos longitudinal (imagem de cima à esquerda), transversal (imagem de cima à direita) e coronal (imagem de baixo à esquerda).

Figura 3. Visão tirada de uma estação de trabalho LOGIQ. Os contornos primários tirados automaticamente pelo sistema podem ser manualmente corrigidos (superior esquerda), então aquele volume da tireóide pode também ser calculado pela construção do software (fundo direito).

A variabilidade inter observador entre as medidas de USV1 e USV2 foi de 0.36mL (interquartile range [IQR], - 0.79 a 0.37mL; P , 0.156). A variabilidade media entre a ultrassonografia módulo B e a anatomia patológica foi - 9.6mL (IQR - 16.7 a 1.5mL; P < 0.001) e entre a USV e a anatomia patológica foi - 2.87mL (IQR - 11.97 a 9.51 mL; P = 0.019).
Tabela 2. Análise Modulo B e Volumétrica comparada com o padrão de referência AP
| Valor | Modulo B Manual, Elipsóde | USV1 + USV2/2 | USV1 | USV2 | AP |
| Média | 20.2 | 27.2 | 26.2 | 28.8 | 25 |
| Mínimo | 10.4 | 9.7 | 18.8 | 19.6 | 20 |
| Máximo | 35.4 | 84.7 | 41.2 | 50.4 | 70.8 |
O desempenho global da ultrassonografia de módulo B, quando comparada com a AP foi - 29.1% (IQR - 47.5% a - 5.9%) e a da USV quando comparada com a AP foi - 6.3% (IQR - 26.3 a 13.7%; P < 0.001). Os autores concluem que a ultrassonografia volumétrica é uma ferramenta válida que é mais comparável com a AP do que a ultrassonografia de módulo B.
Tabela 1. População de paciente, diagnóstico histológico e tempo para Módulo B e Volumétrico estimar
| Paciente | Idade (anos) | Sexo | Diagnostico | Tempo para análise no Módulo B, min | Tempo para análise no Volume, min |
| 1 | 74 | F | Hiperplasia nodular | 5 | 12 |
| 2 | 49 | F | Hiperplasia nodular | 6 | 20 |
| 3 | 51 | F | Carcinoma papilífero | 8 | 17 |
| 4 | 69 | F | Hiperplasia nodular | 7 | 18 |
| 5 | 51 | M | Bócio | 6 | 16 |
| 6 | 46 | M | Carcinoma papilífero | 3 | 12 |
| 7 | 77 | F | Carcinoma papilífero | 4 | 20 |
| 8 | 46 | F | Carcinoma papilífero | 5 | 22 |
| 9 | 34 | F | Tireoidite linfocítica crônica | 6 | 20 |
| 10 | 79 | F | Carcinoma papilífero | 7 | 19 |
| 11 | 34 | F | Carcinoma papilífero | 8 | 17 |
| 12 | 40 | M | Carcinoma papilífero | 5 | 16 |
| 13 | 46 | F | Hiperplasia nodular | 6 | 15 |
| 14 | 47 | F | Carcinoma papilífero | 7 | 13 |
| 15 | 58 | F | Hiperplasia nodular | 7 | 19 |
| 16 | 76 | F | Hiperplasia nodular | 7 | 20 |
| 17 | 31 | M | Hiperplasia nodular | 4 | 25 |
| 18 | 43 | F | Carcinoma papilífero | 3 | 16 |
| 19 | 72 | F | Hiperplasia nodular | 8 | 14 |
| 20 | 59 | F | Hiperplasia nodular | 7 | 10 |
| 21 | 42 | F | Hiperplasia nodular | 7 | 12 |
| 22 | 49 | F | Tireoidite linfocítica crônica | 8 | 15 |
| 23 | 53 | M | Hiperplasia nodular | 5 | 17 |
| 24 | 49 | F | Hiperplasia nodular | 7 | 16 |
| 25 | 58 | M | Carcinoma papilífero | 8 | 14 |
| 26 | 49 | F | Carcinoma papilífero | 4 | 16 |
| 27 | 78 | F | Hiperplasia nodular | 5 | 17 |
F indica feminino e M masculino
Nossos comentários:
O cálculo volumétrico pelo módulo B da tireóide requer treinamento do ultrassonografista, de forma mais intensa do que a requerida em outras áreas, pois há dificuldades inerentes a anatomia cervical, que diminuem artificialmente os lobos, em especial a junção do esternoioideo e o esternotireóideo, onde há um espaço rombo que gera sombra distal (ou aumento da atenuação do feixe sonoro), simulando uma interface tecidual que inexiste, mas é freqüentemente interpretada pelo ultrassonografista com a margem lateral do lobo. Nos dois exemplos de transversais do módulo B mostrados pelos autores, este erro foi cometido, ou seja, nas imagens para medida do transversal da tireóide podemos observar que o cáliper 2 do lobo direito deveria ter se posicionado mais à direita, assim como o cáliper 2 do lobo esquerdo deveria ter se posicionado mais à esquerda. Também o cáliper do longitudinal está mal posicionado, deixando de incluir vários milímetros do lobo, tanto superior, quanto inferiormente, assim como o istmo não foi todo incluído no transversal. Se medirmos errado os eixos, o volume final calculado pela fórmula do elipsóide estará errado. Não questionamos a maior precisão do exame volumétrico. Entretanto, o erro pelo módulo B pode ser minimizado se fizermos a técnica corretamente, uma vez que o tempo requerido para o exame volumétrico é inviável para se utilizar na rotina do exame. Portanto, o melhor será aprender a medir corretamente. Abaixo coloco em amarelo a medida que eu faria da tireóide que foi dada como exemplo.



